Machado de Assis
1881
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O defunto-autor que narra a própria vida do além com ironia corrosiva e genial.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) é o livro que marcou a viragem definitiva na obra de Machado de Assis e inaugurou o realismo brasileiro. O romance revolucionou a literatura em língua portuguesa: pela primeira vez, um narrador morto conta a sua própria história com absoluta liberdade, ironia demolidora e uma consciência filosófica que desconfia de tudo — amor, ambição, virtude, felicidade.
Brás Cubas é um rico fluminense que viveu uma vida medíocre e morre sem ter deixado nada de valioso. Já morto, decide escrever as suas memórias "com a pena da galhofa e a tinta da melancolia". O resultado é um romance fragmentado em capítulos breves, caprichosos e por vezes delirantes, onde Machado experimenta com a forma narrativa de um modo que só Sterne antes dele tinha ousado.
A ironia de Machado é corrosiva mas nunca cruel por crueldade. É a ironia de quem olha para a condição humana sem ilusões mas também sem ódio. A famosa equação final do romance — "não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria" — é simultaneamente pessimista e libertadora.
Influenciado por Sterne, Voltaire e Schopenhauer, Machado criou com este livro um romance que parece absolutamente moderno. Cem anos depois da sua publicação, Memórias Póstumas continua a surpreender e a desconcertar os leitores em todo o mundo.
Machado de Assis (1839-1908), o maior escritor da literatura brasileira.
É narrado por um defunto que conta a própria vida com ironia e total liberdade narrativa.
Primeiro em folhetim em 1880 e em livro em 1881, marcando o início do realismo brasileiro.